Sobre você e a sua cidade

Por Eduardo Andrade de Carvalho em 10 de dezembro de 2013

GQ Nunca a palavra “urbanismo” esteve tão presente no cotidiano – pelo menos no dos brasileiros. Se você parar para pensar, as últimas reivindicações e movimentos sociais falam justamente disso: de como o espaço público é tratado, e a relação da população com ele.

Nos últimos anos, ações cada vez mais frequentes mostram a preocupação sobre o tema. Para dar exemplos, cito São Paulo, que é onde estudei, trabalho e, mais recentemente, vivo: a transformação do Minhocão em parque público aos finais de semana, a tomada do centro pelo público na Virada Cultural, a briga pelo espaço na Praça Roosevelt, o surgimento de ferinhas gastronômicas, por exemplo, são todas manifestações de uma nova consciência sobre o espaço público e reflexo de décadas de abandono da cidade.

“A cidade chegou a um ponto tão terminal que as pessoas viram que precisam agir, senão a vida vai ficar impossível”, diz Guilherme Wisnik, crítico de arquitetura e curador da X Bienal de Arquitetura de 2013, cujo tema é justamente este: Cidade: modos de fazer, modos de usar.

Wisnik é quem comanda, neste sábado, uma palestra sobre a “Evolução dos edifícios residenciais em São Paulo”, em que fará um contraponto entre a arquitetura dos anos 40, 50 e 60 e a de hoje. E como a construção de um prédio tem influência no espaço que eu e você utilizamos? No modo como o espaço térreo, principalmente, se relaciona com o entorno, explica Wisnik. Muros altos, com guaritas e estruturas agressivas fazem com que a cidade ao redor “desapareça”. “É uma cidade para carros”, diz.

Como exemplos, ele vai citar edifícios emblemáticos da cidade, como o Copan, o Louveira (do arquiteto Vilanova Artigas), e o Conjunto Nacional, que apesar de ter garagem em seu subsolo, permite que pedestres utilizem sua calçada (a entrada para a garagem não fica na av. Paulista, ponto de maior tráfego) e interajam tranquilamente com o espaço e o comércio em sua base. “É muito simples, mas faz muita diferença”, diz ele.

Moro em edifício antigo, da década de 50, com um grande jardim embaixo. Não tinha chegado a pensar o que me atraía nele, apenas intuitivamente sabia que ele me proporcionava uma melhor relação com a vizinhança, cheia de comércios e centros culturais.

Por isso que o encontro, promovido pela incorporadora Moby, chamou tanto minha atenção. A ideia de fazer esse tipo de evento partiu de um dos sócios da empresa, Eduardo Carvalho, que viu a arquitetura daquela época ignorada pelo mercado imobiliário nos últimos anos. A proposta da incorporadora é resgatar esse modo de fazer, pensando na “relação entre prédio e rua”. E a proposta do projeto é convidar amigos, jornalistas, profissionais e público em geral a pensar nessa simbiose.

“As pessoas estão sofrendo na cidade, não era para sofrer. Elas migraram para as cidades para ter uma vida melhor”, diz Eduardo.

Quem se interessar pode ficar atento ao site da empresa ou entrar em contato pelo email eventos@mobyinc.com.br. Por enquanto, este é apenas o segundo encontro, mas o projeto promete levantar muitas outras discussões.

Texto de Erin Mizuta, para GQ, em 11/06/2013. Confira mais aqui.

Comentários