O resgate da boa arquitetura em SP

Por Eduardo Andrade de Carvalho em 12 de dezembro de 2013

Casa Vogue Com o intuito de valorizar uma arquitetura guiada por princípios outros que o mero fim comercial, aconteceu no sábado, dia 8, a primeira edição do Moby Visita, empreitada cultural promovida pela Moby Incorporadora. Cerca de 10 pessoas estiveram presentes nesta primeira rodada de visitas guiadas a casas importantes de São Paulo. O grupo passou por quatro residências, no Butantã e no Jardim Europa. “São Paulo tem uma tradição arquitetônica de altíssima qualidade. Higienópolis é um exemplo disso. Queremos resgatar esse legado”, afirma Eduardo Andrade de Carvalho, sócio diretor da Moby.

Para dar embasamento às visitas, antes de o micro-ônibus sair da rua Líbero Badaró, o arquiteto Guilherme Wisnik fez breve palestra sobre a arquitetura residencial paulistana, com foco especial na era modernista. Em sua explanação, revisitou obras de Lina Bo Bardi, Oswaldo Bratke, Eduardo de Almeida, Rino Levi, João Baptista Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. Com fotos, plantas e discurso, Wisnik contou um pouco da história de São Paulo, através da moradia. “Durante os anos 1950 e 1960 a arquitetura praticada no Brasil tinha muita identidade”, comentou o arquiteto Mauro Munhoz.

A primeira parada foi na rua Sofia. O destino era uma das primeiras casas desenhadas por Oswaldo Bratke, reformada em 2002 por Mauro Munhoz. O desejo era regatar as vontades do arquiteto criador da casa, pois ela havia sido já muito desfigurada ao longo de sua história. Hoje, o que chama mais atenção é a integração entre os ambientes internos e externos, a intensa luminosidade natural e certos posicionamentos de paredes que escapam à típica malha ortogonal. O arquiteto, que estava presente, falou detalhadamente da história do bairro e da morada.

Em seguida, rumaram todos para o lar mais novo da seleção: a Casa 4×30, projeto doFGMF com o CR2. Quem ali habita é um dos sócios do escritório de arquitetura, Lourenço Gimenes, e sua esposa, Clara Reynaldo. Os trunfos daquela arquitetura são o bom uso do terreno estreito e longo e a contemporaneidade da estética. Entra-se pela cozinha, que é rebaixada 75 cm em relação ao nível da casa e da rua. A alvura da área social da casa, no térreo, é chocante, graças ao piso feito de resina. Na decoração não há excessos, embora exista arte. Outro charme da casa é a cobertura onde audaciosamente não há guarda-corpo.

Uma vez no Butantã, o grupo visitou o lar que Eduardo de Almeida criou para seu filho Tito, em 2005. O projeto segue a linha já conhecida do arquiteto: o extremo rigor à modulação estrutural e o cuidado meticuloso com os detalhes. Os olhos se maravilham com a geometria da estrutura de aço pintada de branco. Na vedação da casa há muito vidro e, dentro, a decoração é bastante discreta.

Já na residência Marcello Nitsche, projetada por Paulo Mendes da Rocha em 1966, o concreto (armado) é rei. Térrea, a morada ocupa boa parte do terreno, mas resta espaço para um arbóreo jardim. Lá, as obras de arte são o foco da decoração.

A incorporadora promete realizar outras visitas do gênero num futuro próximo, ainda restritas a convidados.

Texto de Mariana Kindle, para Casa Vogue Brasil, em 11/06/2013. Confira mais aqui.

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