Cotoxó 926 pela Bamboo

Por Eduardo Andrade de Carvalho em 6 de abril de 2017

Revista Bamboo – Da sinergia entre eduardo de almeida e cesar shundi iwamizu, arquitetos de diferentes gerações, surgiu o projeto do edifício cotoxó 926, pensado para valorizar as pessoas e contribuir para uma cidade melhor.

Autor de projetos marcantes em São Paulo, entre eles o edifício Gemini (1970), a casa Max Define (1976) e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (2013) – esta em parceria com Rodrigo Mindlin Loeb –, Eduardo de Almeida foi também professor na FAU-USP, onde conheceu Cesar Shundi Iwamizu, fundador em 2007 do escritório SIAA. Da relação entre mestre e aluno nasceu a parceria em projetos como o edifício residencial Cotoxó 926, para a Moby Incorporadora, ainda não construído. Eles contaram à Bamboo como funciona essa troca entre duas gerações.

“Gosto de ter apoio para discutir, a troca é muito importante. Isso me dá a oportunidade de enriquecer, de me provocar e aprofundar em certas questões”, disse Eduardo. “Há uma sinergia entre nós que acontece pela convivência. O Shundi vem de uma tradição de arquitetura paulista, na forma sintética e essencial de ver a arquitetura, e eu também busco isso, só que de outro jeito”, explicou.

Os dois acreditam que a boa arquitetura traz qualidade de vida e que ela deveria ser pensada para além da forma – para as pessoas. Localizado em Perdizes, na zona oeste paulistana, o Cotoxó 926 pretende contribuir para isso. “O prédio é bom sem ter nada de espetacular. Num momento em que a arquitetura tende a ser cada vez mais fantástica, fazer uma arquitetura simples, que valorize as pessoas, me parece interessante”, afirmou Shundi. “No geral, o mercado é muito oportunista. Querem aproveitar um momento, não se pensa no futuro. O Cotoxó é um prédio com outras intenções. É discreto, respeitoso”, define Eduardo.

Se as cidades estão nas mãos das construtoras e, como Eduardo diz, “a história da arquitetura é a história da humanidade”, qual será o legado da nossa geração? “Eu diria que tem uma coisa otimista. O fato de pequenas construtoras tratarem a arquitetura como um produto importante, com vontade de fazer uma cidade melhor, certamente vai influenciar as grandes na hora de contratar novos projetos”, afirma Shundi. “Acho que estamos sensíveis a isso. Há um pensamento que amarra muitos projetos atuais, principalmente maneiras de se apropriar do espaço publico”, completa Eduardo. Estimular uma arquitetura sábia é o caminho para construirmos, de prédio em prédio, uma cidade melhor.

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